Impactos do COVID-19 na Produção Farmacêutica

28.05.2020

 

Introdução

 

À medida que a pandemia do COVID-19 se espalha pelo mundo, o número de casos relatados já ultrapassou 4,4 milhões até o momento e continua a aumentar. A magnitude da desaceleração econômica que se seguirá ainda é altamente incerta, mas as consequências devem ser significativas em todo o mundo.

 

Em resposta à crise de saúde criada pelo vírus, empresas na área de saúde têm atendido pacientes e criado soluções para melhorar a saúde pública. As empresas de med-tech têm se concentrado em criar maneiras de diagnosticar rápida e precisamente o COVID-19 por meio do desenvolvimento de testes moleculares. A indústria farmacêutica tem realizado testes clínicos para validar medicamentos antivirais para o tratamento do COVID-19 e trabalhado para desenvolver uma vacina. Embora essas etapas tenham um impacto imediato na indústria farmacêutica em todo o mundo, também se espera que impactos de longo prazo sejam observados no âmbito regional.

 

Os governos em todo o mundo implementaram restrições de quarentena e viagens para conter a disseminação do COVID-19; no entanto, essas medidas comprometem as operações industriais, incluindo as de produtos farmacêuticos. Juntamente com as paralisações temporárias da produção em alguns países, a indústria farmacêutica também enfrenta graves consequências de interrupções na cadeia de suprimentos. A cadeia global de fornecimento de medicamentos está sob pressão devido a um déficit de matérias-primas, como ativos farmacêuticos (APIs) e excipientes.

 

O aumento da demanda por medicamentos antivirais é previsto a curto prazo, mas há uma redução esperada na demanda por medicamentos para outras doenças. Os motivos incluem a relutância dos pacientes com outras condições de visitar instalações médicas e farmácias para obter medicamentos prescritos, além do adiamento de procedimentos médicos não urgentes.

 

Interrupção global da cadeia de suprimentos

 

A indústria farmacêutica global depende das exportações da China, pois o país é o maior produtor de ingredientes farmacêuticos. Com o surto de COVID-19 na China e as imposições de bloqueio, seguidas por restrições de transporte internacional, o fornecimento de matéria-prima para a produção de medicamentos farmacêuticos da China diminuiu. Esse problema tem o potencial de interromper a fabricação de produtos farmacêuticos em muitos países, como Índia, Estados Unidos e Europa. Uma grande parte dos medicamentos vendidos nos Estados Unidos é produzida na China e na Índia, enquanto quase 80% da demanda de APIs dos Estados Unidos é atendida por esses dois países. Como um dos maiores produtores mundiais de medicamentos genéricos (com 20% da oferta global), a Índia importa quase 70% de seus APIs da China; portanto, interrupções em sua cadeia logística podem resultar em escassez de suprimentos.

 

Antecipando a escassez, governos e agências reguladoras adotaram restrições temporárias à exportação, como no Reino Unido, onde foram proibidas as exportações paralelas de três medicamentos usados para o tratamento com COVID-19. A Índia restringiu as exportações de 26 medicamentos e APIs essenciais no início de março de 2020. Isso pode ter um impacto significativo, especialmente no fornecimento global de medicamentos como paracetamol, antibióticos e vitaminas.

 

Previsão global para excipientes especializados

 

De acordo com nossa análise, nos cenários mais provável e otimista, os efeitos de interrupções na produção farmacêutica – e consequentemente na demanda de excipientes – serão de curto prazo. No entanto, no pior cenário, as interrupções no fornecimento devido a bloqueios prolongados em vários países podem ter um impacto mais substancial na fabricação de medicamentos sólidos orais (OSDF) e, por sua vez, impactar significativamente o crescimento da demanda global de excipientes.

 

Previsão da demanda global de excipientes especializados

para produtos farmacêuticos OSDF, 2019-2024

 

  

As previsões regionais variam muito, dependendo de fatores como duração do bloqueio no nível do país, proibições de viagens e transportes, a extensão do impacto econômico do COVID-19 e a dependência das importações. Por exemplo, na Índia, embora as importações de matérias-primas farmacêuticas da China tenham sido retomadas em meados de março, a atual situação de bloqueio no país interrompeu a produção farmacêutica, pois a proibição de transporte público dificulta o acesso dos trabalhadores às fábricas. Isso também está atrapalhando o fornecimento de materiais de embalagem, entre outros itens essenciais para apoiar a indústria farmacêutica. É essencial estudar o mercado de cada região de excipientes farmacêuticos individualmente para entender completamente as repercussões e equipar melhor as estratégias para diferentes mercados de excipientes em todo o mundo.

 

Nosso relatório Specialty Excipients for Oral Solid Doses: Impact of COVID-19 on the Global Market fornece insights sobre previsões de mercado em diferentes regiões e cenários.

 

Novidades e Tendências de Excipientes OSDF no Brasil

 

No Brasil, até o momento, as previsões iniciais de demanda do mercado não foram drasticamente afetadas como no restante do mundo em virtude de suas cadeias logísticas de suprimento não terem sido tão fortemente abaladas.

 

Contudo, um possível lockdown pode não só afetar fortemente a economia, o poder de consumo e a demanda de consumidores, como também situar o país na pior previsão de cenário proposta em nosso estudo.

 

Apesar do pessimismo na retomada econômica apontado por especialistas, que pode restringir a demanda de excipientes e OSFDs, é também possível que a indústria farmacêutica se dinamize para reduzir a dependência de importação, produzindo ou incrementando sua cadeia de suprimentos.

 

Mudanças futuras na indústria

 

Enquanto no curto prazo espera-se que a indústria farmacêutica se recupere à medida que a cadeia de suprimentos retoma, é provável que haja algumas lições a longo prazo. A maioria dos fabricantes de produtos farmacêuticos no passado implementou a metodologia “just in time” para seus suprimentos de matéria-prima, em vez de estocá-los, diminuindo a armazenagem, mas também aumentando a possibilidade de escassez no caso de uma interrupção no fornecimento. Essa abordagem pode mudar em favor de maiores estoques em toda a indústria, não apenas para matérias-primas farmacêuticas, mas também para medicamentos acabados.

 

Os fabricantes talvez comecem a diversificar o fornecimento de matérias-primas ou investir na difusão da produção em diferentes mercados, e não em áreas geográficas concentradas, como China e Índia. Outro efeito a longo prazo provavelmente será a reindustrialização da produção de medicamentos na Europa, Brasil e Estados Unidos para reduzir a dependência das importações. Isso levará a um aumento na demanda por excipientes nesses países.

 

Receba todas as projeções de cenários para os impactos do COVID-19 no Brasil através de nosso estudo Specialty Excipients for Oral Solid Dosage Forms: Impact of COVID-19 on the Global Market​. 

 

Para mais informações, entre em contato com a Factor-Kline.

 

Fonte: Kline&Co.

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