(Des)fossilização e o Mercado de Biolubrificantes

Ao passo que os problemas decorrentes das mudanças climáticas continuam a causar preocupação, países em todo o mundo estão lutando para tornarem-se carbono-neutros (ou carbono-negativos). Dentre as iniciativas sendo tomadas, grande parte tem focado na pesquisa e no desenvolvimento de processos de descarbonização e de desfossilização.

“O objetivo final é reduzir a dependência de óleos básicos originários do petróleo”, diz Sharbel Luzuriaga, Gerente da Prática de Energia da Kline. “Dessa forma, a desfossilização promete uma maior participação e uso sustentável do carbono biogênico proveniente de fontes renováveis, incluindo energia renovável e materiais como resíduos orgânicos, material pós-consumo e biomassa”.

De acordo com Luzuriaga, as iniciativas globais como o Pacto Global e os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (UN), associados às políticas nacionais, estão enfatizando a economia circular e dando suporte à proliferação de projetos envolvendo óleos básicos de origem biológica.


Os Óleos de Base Biológica Tem Potencial Para Tornarem-se Convencionais?


Apesar dos óleos básicos derivados de óleos de planta (adquiridos em plantações sustentáveis certificadas) possuírem os melhores padrões de pegada de carbono, seu uso tem sido limitado. A razão: as credenciais ambientais que eles fornecem quando utilizados são o interesse principal, e não seus atributos de redução da pegada de carbono; isso afere o impacto total de carbono do produto lubrificante a partir do momento que a matéria prima é obtida, até o momento em que seu ciclo de vida termina.

“Para melhorar suas classificações em questão de sustentabilidade, aqueles responsáveis pela mistura dos óleos procurarão fontes de óleos básicos com menor pegada de carbono”, diz Luzuriaga. “Espera-se que isso impulsione a demanda por óleos básicos de origens alternativas e, até certo ponto, por óleos básicos rerrefinados. Até agora, esses óleos básicos têm circulado em seus próprios mercados nichados, mas possuem o potencial de, no futuro, tornarem-se convencionais, especialmente em mercados de alto valor como o de lubrificantes automotivos”.


Como as Multinacionais Têm Se Posicionado


Enquanto tudo isso ocorre, empresas multinacionais tem se aventurado no mercado de óleos básicos de origens alternativas.


  • Na primeira metade de 2022, a Clariant lançou o “Vita”, sua linha de surfactantes e polietileno glicóis (PEGs) de origem 100% biológica. A Clariant utiliza 100% do bioetanol derivado da cana-de-açúcar ou do milho para criar o óxido de eteno, que constitui a base da cadeia de valores de origem biológico da empresa.


  • Repsol, uma empresa espanhola líder no mercado de lubrificantes, concedeu à Nuspec Oil – uma startup do Reino Unido que tem desenvolvido óleos básicos de base biológica – um apoio financeiro de cem mil euros para o período de um ano.


  • Em setembro de 2021, a VERBIO, uma empresa de tecnologia e de biocombustíveis alemã que trabalha em conjunto com a XiMo, uma empresa de tecnologia de catalisadores, anunciou a primeira planta de etenólise em operação na Alemanha. Por meio da etenólise, a empresa alcançará escala comercial com três novos produtos de origem biológica, produzidos a partir do éster metílico do óleo de colza, incluindo ésteres multifuncionais, alfa olefinas e olefinas internas de base biológica e uma mistura de oleoquímicos.


  • Em dezembro de 2021, a BioAccelergy e a ExxonMobil juntaram-se para conseguir oportunidades em escala comercial para a produção de óleos básicos de lubrificantes de origem biológica. Em virtude desse acordo de desenvolvimento conjunto, a ExxonMobil Research and Engineering Company, junto da BioAccerlergy Ventures, progredirão com o desenvolvimento de um novo óleo básico de base biológica para lubrificantes fabricados a partir de óleo vegetal e de semente. O acordo plurianual visa demostrar a viabilidade da produção de óleos básicos de base biológica em escala comercial e com custo competitivo.


  • A Chevron planeja aumentar a oferta de óleos básicos de origem biológica por meio da aquisição da Nexbase da Neste, sendo também sócia da Novvi.


Como o Acordo Verde Está Impulsionando a Indústria


Finalmente, a indústria de base biológica está ganhando suporte financeiro considerável como parte da plataforma do Acordo Verde da União Europeia. O Circular Bio-Based Europe Joint Undertaking (CBE JU) é uma parceria de 2 bilhões de euros entre a União Europeia e a Bio-Based Industries Consortium (BIC), que oferece projetos financiados, promovendo uma indústria circular de base biológica competitiva na Europa.

“Todos esses são movimentos positivos para o mercado de biolubrificantes” diz Luzuriaga. “A crescente oferta de tecnologias de óleos básicos sintéticos de alta performance e custo competitivo está elevando o nível da indústria de biolubrificantes, aproximando-a da escalabilidade e reduzindo custos – o que continua sendo um grande obstáculo que impede a adoção mais ampla de biolubrificantes”.


E o Brasil?


No Brasil, os biolubrificantes ainda constituem um nicho de mercado, representando menos de 2% da demanda total de lubrificantes acabados no país.

Entre as áreas do mercado que mais consomem esse tipo de lubrificante, está o segmento industrial, que é responsável por 95% da demanda de biolubrificantes, com destaque para os setores de fabricação de automóveis (incluindo auto-partes), metais primários (aço, alumínio e outros metais primários), e manufatura em geral. Os biolubrificantes utilizados na indústria brasileira são, em sua grande maioria, originários de ésteres sintéticos e de polialquileno glicóis (PAGs).


Para mais informações sobre o mercado de biolubrificantes em nível global , fique de olho no estudo da Kline “Bio-Lubricants: Market Analysis and Opportunities”, com publicação prevista para este mês. O relatório possui um capítulo específico para o mercado brasileiro de biolubrificantes, constituindo uma análise abrangente, ao examinar as oportunidades e desafios no mercado de biolubrificantes, avaliando as principais categorias de produtos lubrificantes onde o uso de biolubrificantes está crescendo rapidamente e as várias forças de mercado que impulsionam esse crescimento. Além disso, o efeito das iniciativas em sustentabilidade e o impacto do COVID-19 no mercado biolubrificantes também são examinados no relatório, e o estudo conta com a análise de outras 9 regiões: Alemanha, Canadá, China, Coréia do Sul, Estados Unidos, França, Itália, Países Nórdicos e Reino Unido.


Quer saber mais? Entre em contato com a Factor Kline:




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