União Europeia: Planos para a Geração de Energia Autossuficiente e Sustentável

A invasão da Ucrânia fez com que vários governos da União Europeia (EU) se concentrassem na necessidade de reduzir sua dependência do gás russo. Em um plano divulgado em março de 2022 (REPowerEU), foi estabeleceram-se medidas para obter independência energética da Rússia e, ao mesmo tempo, fortalecer e acelerar a transição para uma emissão zero de carbono. Autoridades políticas europeias afirmam que o movimento em direção à independência energética entrará em vigor na “velocidade da luz”.

A atual dependência da EU na Rússia demonstra-se pelo fato da Rússia representar cerca de 40% do consumo de gás na União Europeia, além de 46% das importações de carvão e 27% das importações de petróleo. A dependência do gás russo varia significativamente dependendo do país: alguns países da Europa Ocidental, como a República Tcheca, Eslováquia e Hungria, dependem 100% do fornecimento de gás russo. Atualmente, os altíssimos preços de energia estão machucando a economia – por exemplo, mesmo antes da Ucrânia ser invadida, a Europa já estava enfrentando escassez de alumínio, devido aos cortes na produção, causados pelas altas nos preços da energia. Após a invasão, a situação agravou-se de tal maneira que a China, a maior importadora de alumínio do mundo, recentemente exportou alumínio para a União Europeia.

Apesar de tudo, ainda existem alguns pontos positivos: de acordo com a União Europeia, os estoques de gás devem durar até o final deste inverno, mesmo num cenário de corte completo do fornecimento da Rússia.

Neste artigo, nós discutiremos o plano REPowerEU e seu impacto no cenário futuro de geração de energia da União Europeia. Além do REPowerEU, as regras de auxílio estatal da União Europeia também oferecem Estados Membros opções de fornecer apoio a curto prazo às empresas afetadas pelos elevados preços de energia.


REPowerEU: Ação Conjunta Europeia para uma energia mais acessível, segura e sustentável


O plano delimita diversos passos que podem ser seguidos para eliminar a dependência do fornecimento de energia russo, ao mesmo tempo que promove sustentabilidade.

  • Política de armazenamento de gás da União Europeia: a comissão fará uma proposta para garantir uma capacidade de armazenamento anual adequada e exigirá que as infraestruturas de armazenamento existentes sejam preenchidas em pelo menos 90% da capacidade até 1° de outubro de cada ano.

  • Diversificação da importação de gás: o plano propõe aumentar a importação de Gás Natural Liquefeito (GNL) vindos do Catar, Egito, África Ocidental e dos Estados Unidos; além de fontes canalizadas do Azerbaijão, Argélia e Noruega.

  • Aumentar a produção de biometano: o plano propõe dobrar o objetivo determinado no “Fit for 55” para a produção de biometano até 2030. O biocombustível seria produzido de fontes sustentáveis de biomassa como resíduos da agricultura e outros resíduos.

  • Acelerador de Hidrogênio: o plano propõe aumentar o fornecimento de hidrogênio renovável em 15 milhões de toneladas além do objetivo de 5,6 milhões de toneladas estabelecido para 2030 no plano “Fit for 55”. Isso incluirá 10 milhões de toneladas de hidrogênio importado de fontes diversas e 5 milhões de toneladas a mais na produção da União Europeia. Curiosamente, o plano constata que “outras formas de hidrogênio livre de fósseis, especialmente de origem nuclear, também podem substituir o papel do gás natural”. O plano não menciona de onde a enorme meta de 10 milhões de toneladas de hidrogênio será importada. A comissão disse que vai apoiar projetos pilotos de produção de hidrogênio renovável na vizinhança da União Europeia – em particular, uma Parceria de Hidrogênio Verde do Mediterrâneo. A Comissão da União Europeia vai trabalhar com parceiros para “concluir a Parceria de Hidrogênio Verde e com a indústria para estabelecer uma Instalação de Hidrogênio Europeia Global, aumentando o acesso dos Estados Membros a uma energia renovável e acessível”.

  • Reduzindo a dependência de combustíveis fósseis: o plano proposto acelera várias metas estabelecidas para bombas solares, eólicas e de calor a serem alcançadas até 2030 pelo “Fit for 55”. A aquisição de terras para projetos de energia limpa é um grande gargalo – o documento reconhece isso, afirmando: “Os Estados Membros devem, o mais rápido possível, mapear, acessar e garantir áreas marítimas e terrestres adequadas disponíveis para projetos de energia renovável, proporcionais aos seus planos nacionais de energia e clima, às contribuições para a meta revisada de energia renovável de 2030, e a outros fatores, como a disponibilidade de recursos, infraestrutura de rede e as metas da Estratégia de Biodiversidade da União Europeia”.

  • Descarbonização da indústria: o plano também atesta: “O plano REPowerEU pode também acelerar o desenvolvimento de soluções inovadoras baseadas no uso de hidrogênio, além de eletricidade renovável om custos competitivos para os setores industriais”. Não são fornecidos detalhes sobre o que isso envolveria além da implementação acelerada do Fundo de Inovação para apoiar uma mudança para eletrificação e hidrogênio e um esquema de contratos de carbono em toda a UE.


O que isso significa para a sustentabilidade e para lubrificantes terminados?


Se implementado, o plano REPowerEU pode abrir novas oportunidades para hidrogênio verde, gás natural e energia eólica.


Hidrogênio verde


O hidrogênio verde é um elemento central para a União Europeia alcançar emissões zero de carbono. O plano proposto baseia-se em planos anteriores de construção de uma economia de hidrogênio na União Europeia, e deve promover a disponibilidade de hidrogênio verde em toda sua extensão. Isso, dessa forma, tornará o hidrogênio a principal rota para a descarbonização de caminhões de longa distância, mineração, construção, agricultura e setores industriais de difícil descarbonização, como o setor de metais primários. A curto e médio prazo, isso provavelmente impulsionará o mercado motores a gás natural adaptados para funcionar com hidrogênio puro, à medida que a tecnologia for comercializada. A longo prazo, as células a combustível de hidrogênio têm potencial para assumir o controle do mercado, o que, por sua vez, levará a uma redução do consumo de lubrificantes ​​no segmento automotivo comercial.


Mercado de gás


O mercado de gás (gás natural, diversas formas de biogás, hidrogênio verde) terá um crescimento robusto. Isso ajudará no desenvolvimento de turbinas e motores bicombustíveis. O mercado tem potencial para acelerar o crescimento de óleos de motores movidos a gás natural (Natural Gas Engine Oils, NGEO) e óleos de turbina, além de impulsionar novas tecnologias compatíveis com esses novos combustíveis. O uso de biogás aumentará o consumo de NGEOs com maior teor de cinzas, enquanto o combustível de hidrogênio exigirá um óleo de motor mais adequado para lidar com a contaminação da água.


Energia eólica


A produção de hidrogênio verde requer geração de energia renovável. O desenvolvimento de fontes de energia renovável como a solar e a eólica será acelerado. Isso ajudará no desenvolvimento de energia eólica offshore devido à falta de locais adequados em terra e à oposição dos consumidores próximos aos parques eólicos.

O plano poderia promover o desenvolvimento de projetos de energia renovável em vizinhos da União Europeia como a África Setentrional, que poderia exportar hidrogênio verde para a União Europeia.

É importante notar que as instalações de energia eólica já estavam crescendo rapidamente devido ao programa Next Generation EU da União Europeia, lançado após os lockdowns do COVID-19. Em 2021, a Europa instalou 17,4 GW de capacidade – um recorde histórico, de acordo com a WindEurope, um órgão do setor. Quanto mais rápido a indústria eólica crescerá com esse incentivo adicional? É possível que a adição de capacidade de energia eólica seja limitada pela capacidade da indústria.

Olhando pelo lado positivo, existe uma corrida para o desenvolvimento de turbinas eólicas de capacidade cada vez maior. Isso se deve, em parte, à escassez de locais adequados (perfil do vento, resistência do consumidor, licenças, etc.) para a construção de novos parques eólicos.

Embora as oportunidades de crescimento volumétrico para lubrificantes usados ​​em turbinas eólicas sejam cada vez mais limitadas (veja nosso blog “Investimentos em Energia Eólica Geram Aumento Limitado da Demanda por Lubrificantes”), novos desafios técnicos impostos por turbinas superdimensionadas e instalações remotas offshore fornecem aos comerciantes de lubrificantes muitas oportunidades para desenvolver produtos de alto valor agregado, a fim de enfrentarem os desafios de desempenho impostos por instalações remotas offshore em termos de temperaturas extremas e condições operacionais hostis.


Conclusão


É importante ressaltar que há uma mudança de ênfase na política da União Europeia, da sustentabilidade para independência energética; mas isso não significa que os objetivos de sustentabilidade perderam relevância. Grandes empresas de petróleo na Europa já começaram a reorientar seus negócios em direção à energia limpa. Essas empresas observarão como o plano é modificado e negociado pelos membros da União Europeia, e estarão prontas para agarrar oportunidades que emergirão ao longo do caminho.

Para mais informações, acesse dois estudos recentes da Kline, que cobrem o setor de energia: “Natural Gas Engine Oils: Global Market Analysis and Opportunities” (Óleos para Motores Movidos a Gás Natural: Análise do Mercado Global e Oportunidades) providencia uma avaliação independente e compreensiva do mercado de óleos de motores movidos a gás natural, no contexto de melhora da tecnologia de motores à gás, mudança de regulações ambientais, demanda crescente em aplicações essenciais, e impacto de diversos desenvolvimentos no mercado de gás natural. Enquanto isso, “Lubricants for Wind Turbines: Global Market Analysis and Opportunities” (Lubrificantes para Turbinas Eólicas: Análise do Mercado Global e Oportunidades) fornece uma análise compreensiva que examina, nos mercados líderes globais, o mercado de lubrificantes utilizados na produção de energia eólica. O estudo focaliza tendências centrais, nos desenvolvimentos da indústria, em mudanças de tecnologia e na identificação de desafios e oportunidades para fornecedores de lubrificantes.


Para mais informações sobre os relatórios e/ou sobre esses mercados no Brasil, entre em contato conosco:


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