Mercado de Óleos Brancos no Pós-Pandemia

Espera-se que a demanda global de óleos brancos cresça a uma taxa composta anual (CAGR) de 3,1%, alcançando 2 milhões de toneladas até 2025, principalmente devido à recuperação da economia da pandemia do COVID-19.

Os óleos brancos são compostos de óleos básicos parafínicos ou naftênicos altamente refinados, com teor aromático extremamente baixo. Eles são incolores, insípidos, inodoros, hidrofóbicos, e não mudam de cor com o tempo. Em outras partes do mundo, são também conhecidos como óleos minerais leves, parafina líquida leve e óleos de parafina leve.

Óleos brancos são utilizados em diversas indústrias, e sua funcionalidade varia de uma para a outra. As aplicações principais desse tipo de óleo estão ilustradas abaixo:


Imagem 1: Aplicações do Óleo Branco. Fonte: Kline Group, editada.


Mudanças no Uso das Classes de Óleos Brancos


Óleos brancos são produzidos em dois graus de qualidade: farmacêutico e técnico (ou industrial). O grau farmacêutico inclui os óleos brancos mais refinados, consistindo apenas de alcanos e cicloalcanos ramificados, e livres de compostos aromáticos e insaturados. Os padrões de qualidade de um país para óleos brancos de grau farmacêutico geralmente seguem a farmacopecia nacional. Entretanto, os padrões definidos pela Farmacopecia dos Estados Unidos e pela Administração de Alimentos e Medicamentos (Food and Drug Administration, FDA) para o uso de óleos brancos em alimentos, em fármacos e na indústria de cuidados pessoais, são seguidos globalmente.

Óleos brancos de grau farmacêutico são majoritariamente usados em indústrias como a de cuidados pessoais, farmacêutica e alimentícia, dado que o uso final dos produtos dessas indústrias envolve a ingestão e/ou o contato com a pele humana. Antigamente, óleos brancos de grau farmacêutico eram utilizados em equipamentos, em que contato acidental com alimentos, medicamentos ou produtos de cuidados pessoais era possível, enquanto para qualquer outro equipamento, óleos brancos de grau técnico eram utilizados. No entanto, ultimamente, para todos os equipamentos, apenas óleos brancos de grau farmacêutico têm sido utilizados, independentemente da possibilidade de o lubrificante entrar, ou não, em contato com o produto final – e isso é adotado na maioria dos mercados. Óleos brancos de grau farmacêutico também são utilizados em aplicações industriais como adesivos/seladores e em plásticos, já que estes são utilizados em embalagens de alimentos, medicamentos e produtos de cuidados pessoais.

Óleos brancos de grau técnico são majoritariamente utilizados em aplicações industriais sem contato com alimentos, como a indústria têxtil, de adesivos/seladores, de celulose, e na agroindústria. Apesar disso, óleos brancos de grau técnico também podem ser utilizados nas indústrias de alimentos, fármacos e de produtos de cuidados pessoais, nas quais não ocorre contato entre o lubrificante e o produto final, como é o caso das indústrias na China.



Por que o Grau Farmacêutico Predomina?


Os óleos brancos de grau farmacêutico lideram a demanda com mais de 50% de participação devido à preferência por óleos brancos de grau farmacêutico nas indústrias alimentícia, farmacêutica e de cuidados pessoais. Eles também têm uso significativo nas indústrias de plásticos e adesivos/seladores usados ​​em embalagens de alimentos, medicamentos e produtos de higiene pessoal, conforme mencionado anteriormente.

No entanto, existem variações regionais. Por exemplo, na Europa e na América do Norte, o óleo branco de grau farmacêutico domina o mercado, com mais de três quartos da participação de mercado. Como resultado, nessas regiões, os óleos usados em aplicações industriais, como adesivos/seladores ou plásticos (não destinados a embalagens de alimentos) também são óleos brancos de grau farmacêutico. Essas indústrias já usavam óleos brancos de grau farmacêutico para essas aplicações, mas passaram a usá-los exclusivamente – algo que também auxilia na imagem das indústrias, passando uma imagem de maior preocupação com a saúde e a segurança do consumidor. Além disso, embora os óleos brancos de grau farmacêutico sejam mais caros do que os óleos brancos de grau técnico, a diferença de preço está dentro da faixa de 5% a 10%, o que não é proibitivo em termos de custos.



Demanda Global de Óleos Brancos


Em 2020, a demanda global de óleos brancos foi estimada em 1,7 milhões de toneladas. A Ásia lidera o consumo, pois é o principal produtor de plásticos, têxteis, produtos farmacêuticos e adesivos/seladores (as indústrias que mais consomem óleos brancos). A Ásia também é um dos maiores produtores globais de produtos de cuidados pessoais. A China e a Índia são os dois maiores mercados de óleos brancos na Ásia. A Ásia é seguida pela América do Norte e Europa, com plásticos e cuidados pessoais sendo os dois principais consumidores de óleos brancos em ambas as regiões. Os Estados Unidos são o maior mercado da América do Norte, representando cerca de 95% da demanda de óleos brancos na região. Na Europa, a Alemanha é o principal consumidor de óleos brancos.



Imagem 2: Demanda global de óleos brancos. Fonte: Kline Group, editada.


Demanda de Óleos Brancos no Brasil


Em 2020, a demanda por óleos brancos no Brasil foi de cerca de 50 quilotoneladas. Os óleos brancos no país são majoritariamente aplicados na indústria farmacêutica, de cuidados pessoais e de plásticos, ou seja, a demanda é centrada em óleos brancos de grau de pureza elevado, seguindo os parâmetros USP (United States Pharmacopeia), enquanto óleos brancos de grau técnico representam apenas 14% da demanda. Esse grau é utilizado principalmente em adesivos plásticos, PVC, tintas e na indústria têxtil.


Impacto do COVID-19


A pandemia do COVID-19 teve impactou adversamente a demanda global de óleos brancos, causando uma queda estimada de 5% em 2020, sendo que escala de declínio variou de um país para outro. As quedas, entre 5% e 10%, foram maiores em mercados desenvolvidos como Alemanha, Estados Unidos, França e Reino Unido, dado que esses países foram os mais afetados pela primeira onda de COVID-19, vivenciando fechamentos temporários ou redução das atividades de produção em várias fábricas.

A China e a Índia também testemunharam uma queda na demanda de cerca de 3% em 2020. No entanto, em outros países asiáticos, como Coréia do Sul, Japão e Indonésia, as quedas na demanda não foram significativas por diversos motivos: entre eles, a diminuição da demanda em setores como agricultura, têxtil e cuidados pessoais na Coréia do Sul e no Japão em 2020, foi compensada pelo aumento da demanda nas indústrias de alimentos, produtos farmacêuticos e plásticos. Como resultado, o declínio na demanda foi inferior a 1% nesses dois países. Além deles, outros países como o Brasil e a África do Sul também testemunharam um pequeno declínio na demanda de óleos brancos em 2020.

O impacto do COVID-19 foi diferente em cada setor. À medida que os consumidores obedeciam à quarentena e compravam menos maquiagem e roupas, a demanda por óleos brancos diminuiu nas indústrias de higiene pessoal e têxtil. Enquanto isso, o fechamento de restaurantes e bares levou a um declínio na demanda de óleos brancos na indústria alimentícia, e o fechamento temporário de instalações de produção de plásticos e adesivos/seladores também levou a declínios. Mas a indústria farmacêutica viu um aumento na demanda de óleos brancos – o motivo: a produção de produtos farmacêuticos aumentou, com os consumidores comprando mais do que o número médio de medicamentos durante a pandemia.



Óleos Básicos


Os óleos brancos estão entre os lubrificantes mais puros, sendo que os óleos básicos do Grupo I precisam passar por um extenso processo de purificação antes de serem usados ​​para sintetizar óleos brancos. Isso aumenta o custo de produção de óleos brancos a partir de óleos básicos do Grupo I. Além disso, após a pandemia, o fornecimento de óleos básicos do Grupo II aumentou, enquanto o fornecimento de óleos básicos do Grupo I diminuiu. Como resultado, os fornecedores de óleo branco passaram a preferir óleos básicos do Grupo II ao Grupo I, devido ao maior custo de processamento associado a este último. Os óleos básicos do Grupo II também são preferidos aos óleos básicos do Grupo III, pois os últimos são mais caros que os primeiros. Cobrimos essa mudança na demanda de óleos básicos em um post recente, “Mercado Global de Óleos Usados: Desafios no Caminho para a Sustentabilidade”.

A escolha dos óleos básicos para produzir óleos brancos também depende da disponibilidade. Por exemplo, os Estados Unidos é maior produtor de óleos básicos naftênicos. Portanto, o uso de óleos básicos naftênicos para a produção de óleos brancos é superior ao uso de óleos básicos dos Grupos I e III no país. A demanda por óleos brancos na Indonésia e na África do Sul, por sua vez, é atendida por meio de importações, e os óleos básicos usados ​​para produzi-los dependem de sua disponibilidade em países como Índia e Coréia do Sul, de onde os óleos brancos são importados.



Fornecedores de Óleos Brancos


China, Estados Unidos e Índia, juntos, responderam por cerca de dois terços da demanda global de óleos brancos em 2020. Consequentemente, os principais fornecedores de óleos brancos nesses países também lideram o mercado global. Por exemplo, a Sinopec lidera o mercado na China e é o fornecedor líder globalmente. Da mesma forma, HollyFrontier e Calumet, juntas, respondem por 90% das vendas nos Estados Unidos. Savita Oil, Gandhar Oil, Raj Petro e Apar são os principais fornecedores do mercado de óleos brancos da Índia.

Além dos fornecedores indianos de óleos brancos, a maioria dos outros fornecedores de óleos brancos está se concentrando em seus mercados domésticos. Por exemplo, a Sinopec é a maior fornecedora de óleos brancos, mas todas as suas vendas de óleos brancos estão na China; fornecedores indianos, como Gandhar Oil e Savita Oil, exportam óleos brancos para países como Brasil, Indonésia e África do Sul. A Panama Petrochem, fornecedora indiana, concentra-se principalmente no mercado de exportação de óleos brancos.



Onde o Mercado de Óleos Brancos Crescerá Mais?


Espera-se que os separadores de baterias de íons de lítio sejam a aplicação de óleos brancos com crescimento mais rápido de 2020 a 2025, impulsionado pelo aumento do interesse em veículos elétricos. A indústria farmacêutica deverá ser a segunda aplicação de óleos brancos que mais cresce, impulsionada pelo envelhecimento da população na Europa e em países como o Japão, aumentando também a cobertura do sistema saúde em países como Índia e África do Sul.

Espera-se que a África, o Oriente Médio e a Europa experimentem o crescimento mais acelerado na demanda de óleos brancos globalmente. A Europa foi a região mais afetada pelo COVID-19 e, portanto, espera-se que tenha taxas de crescimento mais rápidas à medida que sua economia se recupera. No caso da África, o crescimento deverá ser mais rápido devido ao crescimento da renda, levando à expansão mais rápida nos segmentos de alimentos embalados e produtos farmacêuticos. Isso, por sua vez, aumentará a demanda de óleos brancos. A Ásia continuará sendo a maior região consumidora de óleos brancos devido ao crescimento econômico e à mudança contínua da produção industrial de plásticos, papel e muito mais para a Ásia.

Espera-se que a demanda de óleos brancos no Brasil cresça numa taxa composta anual (CAGR) de 2,7% entre 2020 e 2025, atingindo uma demanda total de 57,7 quilotoneladas em 2025.

Em termos de graus de qualidade, espera-se que a demanda global por óleos brancos de grau farmacêutico cresça mais rapidamente do que a demanda de óleos brancos de grau técnico. Isso ocorrerá à medida que a demanda de óleos brancos nas indústrias farmacêutica, alimentícia e de cuidados pessoais - que usam principalmente óleos brancos de grau farmacêutico - cresce mais rápido do que a demanda de óleos brancos em indústrias como as de adesivos/seladores e de plásticos, que usam óleos brancos de grau técnico em grandes quantidades. Já no Brasil , O grau técnico deverá crescer mais rapidamente nesse período, devido uma expansão maior da agroindústria e da indústria de tintas – que utilizam óleos brancos de grau técnico –, e a um crescimento menor do mercado de cosméticos e cuidados pessoais – que utilizam apenas óleos brancos de grau USP. Apesar disso, óleos brancos de grau USP continuarão liderando o mercado brasileiro em 2025.

Em termos de grupos de óleos básicos, espera-se que a demanda por óleos básicos do Grupo III e II para a fabricação de óleos brancos cresça mais rapidamente do que a demanda por óleos básicos do Grupo I e naftênicos. Isso se deve principalmente aos requisitos de pureza e ao crescimento no fornecimento de óleos básicos dos Grupos II e III.

 

O relatório da Kline “Global White Oils: Market Analysis and Opportunities” auxilia os comerciantes de óleo branco na identificação de oportunidades na indústria global de óleo branco, além de servir como uma ferramenta inestimável no processo de planejamento estratégico. Para saber mais sobre o estudo, solicite mais informações pelos contatos listados abaixo, ou clique aqui.


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